Post-confinement

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Cela fait longtemps que je ne vous écris pas. Je dois avouer que ma vie a été mise en standby durant 52 jours. Nos vies. Aucun sujet ne me paraissait assez intéressant, assez important, l’envie me manquait, comme si j’étais en apnée.

Pourtant, la quarantaine n’a pas été si difficile pour moi. J’habite une maison avec jardin et mon beau-père a une ferme où nous avons des animaux et où nous sommes en contact avec la nature.

Toutefois, cette période m’a paru tirer d’un film de SF. On dit souvent que la réalité dépasse la fiction et ce fut le cas. Ma vie était déjà un peu dans le brouillard et instable, mais maintenant, j’ai vraiment perdu tous mes repères. Être en société m’est de plus en plus pénible. Rien que faire les courses est devenu compliqué et bizarre : devoir mettre un masque qui rend la respiration moins naturelle et devoir s’écarter devant les gens. Voir des files d’attente dans la rue, devant la pharmacie, le kiosque, la poste et tous portant des masques. Dans les grandes surfaces, les magasins, les employés portent maintenant des visières, des masques, il y a des distances de sécurité, des procédures, suivre les flèches, se désinfecter les mains encore et encore.

Ne plus pouvoir embrasser les autres, prendre le risque de le faire pour la fête des mères ou mon anniversaire. Craindre de tenir la main d’une enfant ou de la prendre sur mes genoux. Ne plus vouloir trouver de travail pour éviter les endroits fermés, les gens, les procédures. Souhaiter fuir la société. Se refermer sur soi-même, vouloir se protéger, se préserver. Ne plus savoir faire de projets, ne plus le désirer. Se rendre compte de la futilité des choses, de la routine, de l’argent, de la télé, de certains individus. Et ne plus vouloir ça pour nous. Sentir qu’il existe quelque chose d’autre, de plus évident, mais n’avoir personne avec qui le partager. Et enfin respirer, penser que tout cela n’est qu’une phase et que tout ira bien.

sem nome Pós-confinamento

Há muito tempo que não escrevia. Devo confessar que a minha vida ficou em standby durante 52 dias. Na verdade, as nossas vidas. Nenhum assunto me parecia suficientemente interessante ou importante, perdi a vontade, como se estivesse a conter a respiração.

Mesmo assim, a quarentena não foi assim tão difícil para mim. Eu vivo numa casa com jardim e o meu padrasto tem uma quinta onde temos animais e lá, estamos em contacto com a natureza.

No entanto, este período pareceu-me ter sido tirado de um filme de ficção científica. Dizemos às vezes que a realidade excede a ficção e este foi o caso. A minha vida já estava um pouco nublada e instável, mas agora perdi realmente o norte. Viver na sociedade está a tornar-se cada vez mais penoso para mim. Até ir às compras ficou complicado e estranho: ter de colocar uma máscara tornando a respiração menos natural e ter de desviar-se das pessoas. Ver filas na rua, em frente à farmácia, ao quiosque, aos correios e todos de máscaras. Nos supermercados, nas lojas, os empregados agora usam viseiras, máscaras, há distâncias de segurança para manter, procedimentos por saber, seguir as setas, desinfetar as mãos vezes sem conta.

Deixar de poder abraçar os outros, mas correr o risco e fazê-lo no Dia da Mãe ou no meu aniversário. Ter receio de segurar a mão de uma criança ou de pegar nela ao colo. Deixar de querer encontrar trabalho para evitar os lugares fechados, as pessoas, os tais procedimentos. Desejar afastar-se da sociedade. Fechar-se sobre si mesmo, querendo proteger-se e preservar-se. Já não saber como fazer planos, já não querer fazê-lo. Tomar consciência da futilidade das coisas, da rotina, do dinheiro, da televisão, de certos indivíduos. E não querer mais isso para nós próprios. Sentir que existe algo mais, algo óbvio, mas não ter ninguém com quem partilhar. E finalmente respirar, pensar que é apenas uma fase e que tudo vai correr bem.

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