Roundup

Quando chega a primavera e depois da chuva intensa do inverno, aparecem as cores do renascimento da natureza. Não é preciso plantar flores, a natureza encarrega-se de revelar os seus pigmentos incríveis nas gestas e no mato. Os campos enchem-se de um verde radiante, de gestas com flores brancas ou amarelas e ainda plantas selvagens vermelhas, ou lilás. Um encanto para os olhos, mesmo na serra, entre as pedras as mais lindas cores aparecem como por magia. Com a alternância da chuva e dos dias de sol tudo cresce num ápice, e enquanto pessoas se fascinam com este fenómeno outras ficam incomodadas. Começamos a ver gente a pulverizar o quintal, empregados das juntas a vaporizar os passeios públicos e agricultores a borrifar em volta dos toros das árvores. Mas o que contêm esses cilindros ou garrafas, e porquê?

A resposta é herbicida, glifosato ou “Roundup” como passou a ser dito vulgarmente. Porquê? Não sei. Porque sempre se fez assim, responderão alguns, porque as ervas invadem tudo e são uma praga, dirão outros.

Este tema muito controverso, mas já bem conhecido não deixa de ser de atualidade e a pesar das ações de sensibilização, das reportagens feitas para denunciar os seus estragos, estas substâncias continuam a ser usadas e vendidas. Segundo a Eurostat, em 2019 foram vendidos em Portugal 2 222 toneladas de herbicidas de todo o tipo. Quando falo com os aficionados do Roundup, eles respondam: “se está a venda, é que se pode comprar”. Pois bem, é verdade, mas pouca gente procura mais além.

Segundo a Wikipédia, herbicida tem como raízes “herbi”, erva, e “cida” matar (a mesma raiz de palavras como homicida, genocida…) é um produto químico utilizado na agricultura para o controlo de ervas classificadas como daninhas. Constituem uma categoria de pesticida. As vantagens da utilização deste produto é a rapidez de ação e o custo reduzido. Os problemas decorrentes da sua utilização são a contaminação ambiental e o surgimento de ervas resistentes. Nos rótulos das garrafas podemos observar as sinalizações: 

DIN 4844-2 D-P005.svg
Poluição da água
Ficheiro:GHS-pictogram-pollu.svg
Contaminação do solo

Ou seja, não só o famoso herbicida mata as ervas daninhas, mais tenazes, como também com as múltiplas aplicações contaminam o solo, tornando-o infértil, contaminam os lençóis freáticos (e com eles a água do furo que bebemos, ou com a qual regamos as nossas hortas) e até os riachos. Mas não pudemos parar aqui, certos estudos mostram que mata certos insetos, intoxica animais que comem essas ervas, e até são responsáveis pela malformação de espécies como os anfíbios (rãs…). Contudo, em 2019, o glifosato foi confirmado como uma das causas da morte por cancro de um agricultor americano de 70 anos que o usou de 1980 até 2012 nas suas terras. Foi um caso extremo sim, é verdade, mas a OMS já avisou que a taxa de cancro podia subir de 60% em 2040 se nada for feito.

O assunto é mesmo problemático, vários países da América do Sul já restringiram a sua venda, na Europa, a França, a Bélgica e a Alemanha já fizeram o primeiro passou. No entanto, entre alterações de lei e revogações, em 2017, a Europa decidiu reconduzir a comercialização dos herbicidas até finais de 2022. No mundo só o Vietname, a Áustria e Montreal proibiram totalmente a substância. O grupo Monsanto em 2015 ganhou mais de 4 biliões de dólares com a venda do Roundup no mundo. Em 2018, o gigante farmacêutico alemão Bayer comprou a Monsanto, o que deixa adivinhar porquê é tão complicado livrar-se do glifosato. Em Portugal, o BE, o PAN e o PEV têm lutado para a proibição dos herbicidas, no entanto se cada um tomasse consciência do perigo que é o Roundup e mudasse de comportamento muitas vidas humanas e não só seriam poupadas. Hoje em dia, já muitas empresas estão focadas na descoberta de uma alternativa amiga do ambiente e igualmente eficaz: fala-se de herbicidas orgânicos, alguns são a base de sabão, sal, borato de sódio ou até vinagre.

france-flag-clipart

Après les fortes pluies de l’hiver, les couleurs renaissantes du printemps apparaissent. Il n’est pas nécessaire de planter quoi que ce soit, la nature se charge de révéler ses incroyables pigments dans les sous-bois et les bords de route. Les champs se remplissent d’un vert rayonnant, de fleurs d’un blanc et jaune lumineux et même les plantes sauvages de rouge et lilas éclatants. Un plaisir pour les yeux, même dans les montagnes, entre les pierres, les plus belles couleurs éclosent comme par magie. Avec l’alternance de la pluie et des jours ensoleillés, tout pousse en un clin d’œil, et si certains sont fascinés par ce phénomène, d’autres en sont agacés. On commence alors à voir des personnes vaporiser leurs jardins, des employés municipaux vaporiser les trottoirs et des agriculteurs vaporiser autour des troncs d’arbres. Mais que contiennent ces cylindres ou bouteilles, et pourquoi ?

La réponse est de l’herbicide, du glyphosate ou “Roundup” comme on l’appelle communément. Pourquoi font-ils ça ? Je ne sais pas. Parce que cela a toujours été fait de cette façon, répondront certains, parce que les mauvaises herbes envahissent tout et sont un fléau, diront d’autres.

Ce sujet très controversé, mais déjà bien connu, est toujours d’actualité et, malgré les campagnes de sensibilisation et les rapports pour en dénoncer les dégâts, ces substances continuent d’être utilisées et commercialisées. Selon l’Eurostat, en 2019, 2 222 tonnes d’herbicides de tous types ont été vendues au Portugal. Lorsque je discute avec des aficionados du Roundup, ils me répondent : “si c’est en magasin, c’est qu’on peut l’acheter”. C’est vrai, mais peu de gens cherchent à voir au-delà.

Selon Wikipédia, le mot herbicide, a pour racines “herbi”, herbe, et “cida”, tuer (la même racine que pour des mots comme homicide, génocide…), c’est un produit chimique utilisé dans l’agriculture pour lutter contre les mauvaises herbes. Il fait partie de la catégorie des pesticides. Ses avantages sont, une action rapide et un faible coût. Les problèmes découlant de son utilisation sont la contamination de l’environnement et l’apparition de mauvaises herbes résistantes. Sur les étiquettes des bouteilles, nous pouvons lire les signalétiques contamination du sol et pollution de l’eau.

En d’autres termes, non seulement le célèbre herbicide tue les mauvaises herbes les plus tenaces, mais avec des applications répétitives, il contamine le sol le rendant infertile, contamine les nappes phréatiques (et donc l’eau des puits que nous buvons, ou avec laquelle nous arrosons nos potagers) et même les cours d’eau. Mais nous ne pouvions pas nous arrêter là, certaines études montrent qu’il tue certains insectes, empoisonne les animaux qui mangent ces mauvaises herbes, et il est même responsable de la malformation de certaines espèces d’amphibiens. Par ailleurs, en 2019, le glyphosate a été confirmé comme l’une des causes du décès d’un agriculteur américain de 70 ans qui l’avait utilisé de 1980 à 2012 sur ses terres. Il s’agit là d’un cas extrême, certes, mais l’OMS a déjà prévenu que le taux de cancers pourrait augmenter de 60 % d’ici 2040 si rien n’est fait.

La question est vraiment problématique, plusieurs pays d’Amérique du Sud ont déjà restreint leur vente, en Europe et la France, la Belgique ainsi que l’Allemagne ont déjà fait le premier pas. Cependant, entre changements d’avis et remise en cause des lois, l’Europe a décidé en 2017 de renouveler la commercialisation des herbicides jusqu’à fin 2022. Dans le monde, seuls le Viêtnam, l’Autriche et Montréal ont complètement interdit cette substance. Le groupe Monsanto a gagné en 2015 plus de 4 milliards de dollars grâce à la vente du Roundup dans le monde. En 2018, le géant pharmaceutique allemand Bayer a racheté Monsanto, ce qui laisse deviner pourquoi il est si compliqué de se débarrasser du glyphosate. Au Portugal, les partis politiques BE, PAN et PEV se battent pour l’interdiction des herbicides, mais si chacun prenait conscience du danger que représente le Roundup et changeait son comportement, de nombreuses vies humaines et bien plus encore seraient sauvées. Par ailleurs, de nombreuses entreprises s’efforcent déjà de trouver une alternative respectueuse de l’environnement et tout aussi efficace : on parle d’herbicides biologiques. Certains sont à base de savon, de sel, de borate de sodium ou même de vinaigre.

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